
O Incompreendido Poeta
Plural do Sim é um manifesto do sim, adverbio no plural. No substanivo, não.
Texto editorial
Eu sou o Brunno Ramos, nascido e criado nas Mercês, compositor. “Plural do Sim” veio muito dessa ideia de que, muitas vezes, um sim já basta pra nós mesmos. E também dessa sensação de que talvez, se a gente trocasse algum não nosso por um sim, alguma coisa aconteceria. Desde criança eu gosto de música. Na real, eu já nasci com música. Sempre esteve ali. Muito cedo eu já tava metido com banda, ensaio, instrumento, esse universo todo. A Crucificados pelo Sistema surgiu quando eu tinha uns 12, 13 anos. Tenho até uma foto e se eu não me engano, foi em 1995. Eu tocava baixo. A formação era eu, o Johnny Grahl, que hoje toca numa igreja evangélica e toca pra caralho, e o William Princival Rocha, vocalista da banda. A gente ensaiava lá no Parolin, na garagem da casa do William, na Westphalen. Era tudo muito na raça. Eu lembro que fiz um cabo de uns cinco metros pro meu baixo, porque os caras ficavam tocando na garagem e eu conseguia chegar perto do portão pra ficar olhando tudo da rua, vivendo aquele momento. E era isso: um negócio improvisado, mas muito vivo. Nessa época, a gente tocava Nirvana, claro, e Ratos de Porão inclusive, “Crucificados pelo Sistema”, a música que deu origem ao nome da banda, e também fazíamos nossas composições. Já existia essa vontade de tocar o que era nosso. Algumas músicas eu lembro até hoje. Se um dia eu vou gravar, eu não sei. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas elas continuam aqui, de algum jeito. O Alessandro Irala eu conheci quando tinha uns 20 anos. Virou meu amigo. Nessa época, a gente fazia um jornal chamado “Daqui”. A gente alugou um espaço, no Alto da XV, ao lado do Tartaruga, para publicar o jornal. Ele fazia tudo, na real, editava e tocava o jornal, segurava as pontas, fazia acontecer. Eu vendia os anúncios. Depois, nos mudamos para perto do Passeio Público, perto de um café. Ele montou uma banda pra eu ser vocalista. O irmão dele toca no Motörhead Oficial Brasil, então já existia essa ligação forte com música, com banda, com esse corre todo. Acho que isso foi lá por 2004. A ideia era ensaiar, montar um repertório, ver no que dava. Tínhamos vontade de tocar Ramones, vontade de fazer barulho, de fazer uma coisa nossa também, naquela energia meio atravessada, meio urgente. A verdade é que acabou não indo pra frente. Teve esse movimento de montar, chamar, combinar estúdio, mas eu mesmo não fui. Cinco minutos antes de sair pro ensaio, eu desisti. A galera foi pro estúdio e eu simplesmente não apareci. Acho que, no fim, ficaram uns cinco ensaios na intenção e nada aconteceu de fato. Era uma daquelas coisas que pareciam que iam começar, mas pararam antes do primeiro grito. E não, isso não tem a ver com o Plural do Sim. Isso é outra história.


