
A Cena Underground que Marcou uma Geração em Curitiba
A Trajetória da banda Psychotria
Texto editorial
O Psychotria nasceu em 2006, após a saída de Fernanda Franzoni Zaguini da banda Sterea. A formação da banda começou a tomar forma no bairro Bacacheri, na zona norte de Curitiba, onde músicos da cena independente costumavam se encontrar para ensaiar no estúdio de Paulo Popelines. Nesse período, Fernanda buscava reunir os integrantes para dar vida ao novo projeto. Foi assim que conheceu Hugo Goss, que trabalhava no Fidel Bar no centro e tocava bateria na banda Audac. A partir desse encontro, os dois passaram a traçar os primeiros objetivos da banda. Fernanda já conhecia Paulo Popelines, proprietário do estúdio Paranafernália, e foi ali que começaram os primeiros ensaios do Psychotria. No decorrer desse processo de formação, juntaram-se ao grupo Julio Cesar, guitarrista, e Daniel Rossetto, baixista, ambos transitavam pelo bairro Bacacheri. Com a formação completa, Fernanda assumiu os vocais e a guitarra, iniciando também o processo de composição das canções ao lado dos integrantes. A banda encontrou espaço no Grito Grunge, evento liderado por Kleber Santos, vocalista e guitarrista da banda Macedônia. O Grito Grunge tornou-se o momento em que o Psychotria apresentava seu material autoral, enquanto dialogava com o movimento Grunge Scream, que também fazia parte da construção dessa cena e que há quase duas décadas reúne bandas em tributos a nomes que marcaram a geração, como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e L7. As primeiras edições aconteceram na casa de shows Ópera 1, localizada na Rua Jaime Reis, no centro histórico de Curitiba. Após o fechamento da casa, o movimento continuou e passou a ocorrer no Blood Rock Bar, mantendo viva a circulação das bandas independentes. Nesse mesmo período, o Psychotria ampliou sua presença na cena underground curitibana, participando de shows e eventos ao lado de bandas já consolidadas, como Mariachis, Punkake e a própria Macedônia. As apresentações ocorreram em espaços importantes da música independente da cidade, como Retrô Bar, Wonka Bar e Pandora, localizados no centro na Rua Trajano Reis. Essa atividade se estendeu de 2006 até 2013, período em que a banda consolidou sua trajetória na cena local. Em 2013, o grupo entrou em estúdio para gravar seu primeiro e único álbum. A produção foi realizada por Fabio Banks, das bandas Live Transmission e Ovos Presley, e as gravações aconteceram no Estúdio O Globo, de Murilo Rosa. A arte da capa foi criada por Lucas Siqueira, designer visual, produtor de videoclipes e vocalista da banda 20 Age. O processo de gravação intensificou a convivência entre os integrantes e marcou o momento final da banda. Ainda em 2013, o Psychotria encerrou suas atividades, deixando registrado o álbum “Berros, Distorções e um Sutiã”, com oito faixas carregadas de energia, guitarras distorcidas e a intensidade que marcou sua passagem pela cena independente de Curitiba.


